A diferença entre a Tabela A e a Tabela C do frete está na precificação de dois componentes do piso mínimo: o Coeficiente de Carga e Descarga (CC) e o Coeficiente de Custo de Deslocamento (CCD). Na Tabela C, usada para operações de alto desempenho, com carregamento e descarga rápidos, o CC cai entre 65% e 80%, e o CCD entre 3% e 8%. O resultado é um frete final até 45% mais barato em rotas curtas, desde que o tempo total de atendimento do veículo no estabelecimento não ultrapasse 5 horas. Acima desse limite, o enquadramento na Tabela C deixa de ser legal e pode gerar multa e indenização em dobro.

Como o piso mínimo do frete é calculado

O piso mínimo do frete rodoviário segue uma fórmula simples:

Piso = (D × CCD) + CC

Onde D é a distância percorrida em quilômetros, CCD é o Coeficiente de Custo de Deslocamento (o custo variável, por km rodado) e CC é o Coeficiente de Carga e Descarga (o custo fixo, ligado ao tempo parado nas docas para carregar e descarregar). A Tabela A (Composição Veicular Completa Padrão) e a Tabela C (Composição Veicular Completa de Alto Desempenho) usam a mesma fórmula, a diferença está em como cada uma precifica CC e CCD.

A diferença estrutural entre Tabela A e Tabela C

A Tabela C parte do princípio de que a operação é ágil: o motorista não fica ocioso por horas na doca nem precisa pernoitar no local esperando ser atendido. Isso muda drasticamente os dois coeficientes:

Componente do cálculoImpacto técnico na Tabela C (alto desempenho)Diferença percentual média
CC (Carga e Descarga)Redução drástica: elimina o custo de ociosidade prolongada do motorista e exclui o valor de pernoite do veículo nas docas.-65% a -80%
CCD (Deslocamento)Redução leve ou manutenção: reflete a diluição de custos fixos por km em ativos de alta rotatividade.-3% a -8%

 

Quanto a Tabela C economiza, por faixa de distância

Como o frete combina uma parcela fixa (CC) e uma variável (CCD), a economia percentual gerada pela Tabela C não é constante, ela diminui conforme a viagem fica mais longa e o CCD passa a pesar mais que o CC no total:

  • Curta distância (até 150 km): redução de 30% a 45% no frete final. O CC domina o cálculo, então a eficiência nas docas derruba o piso regulamentar de forma acentuada.
  • Média distância (150 a 500 km): redução de 15% a 25%. Equilíbrio gradual entre o custo fixo de carregamento e o custo por km rodado.
  • Longa distância (acima de 500 km): redução de 5% a 12%. O CCD passa a dominar a composição matemática, diluindo o ganho obtido com a agilidade na carga e descarga.

Na prática: quanto mais curtas e mais numerosas forem as rotas de uma operação, maior o potencial de economia ao migrar para a Tabela C.

O fator que decide se a Tabela C pode ser aplicada: o limite de 5 horas

A economia da Tabela C só é legítima se a operação realmente for de alto desempenho. A regra é objetiva:

  • Limite máximo permitido: o tempo total de atendimento do veículo (entrada, pesagem, posicionamento na doca, carregamento e descarregamento, amarração, emissão de documentos fiscais e saída) não pode ultrapassar 5 horas.
  • Fator de estadia (Lei nº 11.442/2007): se a operação contratada como Tabela C ultrapassar as 5 horas por atraso do embarcador ou do destinatário, o enquadramento de eficiência deixa de valer. O transportador passa a ter direito à Hora Parada / Estadia, contada retroativamente a partir da quarta hora de chegada.

O risco de aplicar a Tabela C fora do prazo legal

Usar os coeficientes reduzidos da Tabela C quando a operação real ultrapassa as 5 horas configura infração administrativa perante a ANTT e, dependendo do caso, pode ser tratado como fraude fiscal. As consequências práticas para o contratante incluem:

  • Multas administrativas de R$ 550,00 a R$ 10.500,00.
  • Obrigação legal de pagar indenização equivalente ao dobro da diferença entre o valor pago (Tabela C) e o piso realmente devido (Tabela A).

Ou seja: economizar na tarifa sem ajustar a operação de pátio pode transformar um ganho de custo em um passivo fiscal e jurídico bem maior do que a economia original.

Como saber se sua operação está pronta para migrar para a Tabela C

Antes de renegociar contratos para a Tabela C, é recomendável validar a operação com dados reais, não com uma expectativa de processo:

  • Auditar o pátio por 15 dias nas rotas candidatas, medindo o tempo real de permanência dos motoristas do check-in ao check-out.
  • Verificar se o carregamento depende fisicamente da equipe externa do transportador. Isso costuma alongar o tempo de atendimento.
  • Mapear separadamente as rotas curtas, médias e longas: o potencial de economia e o risco de estouro do prazo variam por faixa de distância.

Se a média medida for superior a 5 horas, migrar para a Tabela C sem antes corrigir a operação de pátio tende a gerar penalidades automáticas na originação do CIOT ou passivos de estadia que podem ser judicializados pelos transportadores.

Perguntas frequentes sobre Tabela A e Tabela C de frete

Qual a fórmula do piso mínimo do frete?

Piso = (D × CCD) + CC, onde D é a distância em km, CCD é o Coeficiente de Custo de Deslocamento e CC é o Coeficiente de Carga e Descarga.

Qual a diferença entre Tabela A e Tabela C?

A Tabela A é a composição veicular completa padrão. A Tabela C é a versão de alto desempenho, com CC reduzido em 65% a 80% e CCD reduzido em 3% a 8%, refletindo uma operação de carga e descarga mais rápida.

Quanto tempo o veículo pode ficar parado na doca para se enquadrar na Tabela C?

No máximo 5 horas, contando toda a operação. Isto é: entrada, pesagem, posicionamento, carregamento, descarregamento, amarração, emissão de documentos e saída.

O que acontece se a operação ultrapassar as 5 horas usando a Tabela C?

O enquadramento de alto desempenho deixa de valer. Ou seja, o transportador tem direito à Hora Parada / Estadia a partir da quarta hora, e o contratante fica sujeito a multa de R$ 550,00 a R$ 10.500,00, além de indenização em dobro sobre a diferença entre o valor pago e o piso da Tabela A.

A Tabela C economiza mais em rotas curtas ou longas?

Em rotas curtas (viagens de até 150 km), a economia pode chegar a 30%-45%, porque o custo fixo de carga e descarga (CC) tem peso maior no frete total. Entretanto, em rotas acima de 500 km, a economia cai para 5%-12%, já que o custo por km (CCD) passa a dominar o cálculo.

Conclusão

Por fim, a migração de Tabela A para Tabela C pode reduzir custos logísticos de forma relevante, de 5% a 45%, dependendo da rota. Mas esse ganho é condicionado à excelência operacional no pátio. Assim, sem tempo de atendimento controlado dentro de 5 horas, a economia na tarifa vira risco fiscal. Antes de migrar contratos, meça a operação real com uma auditoria de pátio de 15 dias e trate rotas curtas, médias e longas separadamente, é nelas que a decisão certa muda o resultado.

Então, se o seu negócio precisa de apoio para otimizar custos? Nós temos soluções de suporte à decisão sob medida. Entre em contato!

Voltar para o blog Entre em contato

Categorias Planejamento da cadeia de suprimentos

Que saber mais?
Entre em contato para mais informações.

Clique aqui