Roteirização de entregas é o processo de definir a sequência e o trajeto ótimos para que um ou mais veículos realizem um conjunto de entregas com o menor custo possível, respeitando restrições de capacidade, janela de horário e tempo máximo de rota.
Para operações com poucas entregas diárias, a roteirização manual ainda é viável. Mas à medida que o volume cresce, a complexidade do problema cresce de forma exponencial e a capacidade humana de encontrar a melhor rota se torna insuficiente. É aí que softwares de roteirização entram.
Este artigo explica como funciona a roteirização de entregas, qual matemática está por trás dela, quais restrições os softwares modernos consideram e como saber se a sua operação já justifica o investimento em uma ferramenta especializada.
Roteirização de entregas é a definição do roteiro (ou seja, a sequência de paradas e o trajeto) que cada veículo deve seguir para realizar um conjunto de entregas. O objetivo é minimizar o custo total da operação: quilômetros rodados, tempo de rota, número de veículos necessários ou qualquer combinação desses fatores.
Na prática, roteirizar é responder a perguntas como:
Quando feita manualmente, a roteirização depende da experiência do planejador e de sua familiaridade com as rotas. Quando feita por software, utiliza algoritmos de otimização matemática que avaliam sistematicamente as combinações possíveis e encontram a solução de menor custo.
A roteirização de entregas é um problema clássico da pesquisa operacional chamado Problema de Roteirização de Veículos (ou VRP), da sigla em inglês Vehicle Routing Problem. Ele generaliza o famoso Problema do Caixeiro Viajante (TSP) para múltiplos veículos com restrições operacionais.
Um problema de roteirização com apenas 15 pontos de entrega e um único veículo tem mais de 87 bilhões de rotas possíveis. Com 25 pontos, esse número supera o número estimado de átomos no universo observável. Nenhum ser humano (nem nenhuma planilha) consegue avaliar todas essas combinações. Algoritmos de otimização encontram a melhor solução em segundos.
O VRP é classificado como um problema NP-difícil: à medida que o número de pontos cresce, o tempo para encontrar a solução exata cresce de forma exponencial. Por isso, softwares modernos usam heurísticas e metaheurísticas; algoritmos que encontram soluções muito próximas do ótimo em tempo computacional viável.
O VRP básico considera apenas a capacidade dos veículos. Na prática, operações reais têm restrições adicionais e existem variantes do problema para cada uma:
| Variante | Restrição principal | Exemplo de uso |
| CVRP | Capacidade máxima por veículo | Distribuidora com caminhões de capacidades diferentes |
| VRPTW | Janela de horário por cliente | Entregas em supermercados com horário de recebimento |
| MDVRP | Múltiplos depósitos de saída | Operação com mais de um CD ou hub urbano |
| VRPB | Coletas e entregas na mesma rota | Logística reversa integrada à distribuição |
| OVRP | Veículos não retornam ao depósito | Entregadores que encerram o turno em campo |
Softwares de roteirização modernos combinam múltiplas variantes simultaneamente, resolvendo problemas com dezenas de restrições em segundos ou minutos.
Um ciclo típico de roteirização com software segue estas etapas:
O software recebe a lista de pedidos do dia (endereços, volumes, pesos, horários e prioridades) geralmente importada do ERP ou TMS da empresa. Também recebe os dados da frota: quantidade de veículos, capacidade de cada um e ponto de partida.
Cada endereço é convertido em coordenadas geográficas. A qualidade da geocodificação é crítica: endereços mal interpretados geram rotas com desvios ou paradas erradas. Softwares calibrados para o Brasil lidam melhor com o endereçamento nacional, incluindo regiões com numeração irregular ou logradouros sem CEP.
O software calcula o tempo e a distância entre cada par de pontos, considerando o perfil viário real, não apenas a distância em linha reta. Ferramentas mais avançadas incorporam dados de tráfego em tempo real para estimar deslocamentos com maior precisão.
O algoritmo resolve o VRP: agrupa os pedidos em rotas, define a sequência de paradas e aloca cada rota a um veículo. O objetivo é minimizar o custo total (quilômetros, tempo ou número de veículos) respeitando todas as restrições configuradas.
O planejador revisa as rotas geradas e pode fazer ajustes manuais quando necessário. Por exemplo, para incorporar informações que o sistema não tem, como uma rua em obras ou um cliente com preferência específica. Bons softwares permitem esses ajustes sem desfazer a otimização do restante da rota.
As rotas aprovadas são enviadas ao motorista via aplicativo móvel. O planejador acompanha a execução em tempo real: posição dos veículos, entregas concluídas e ocorrências. Quando surge um imprevisto, o software permite re-roteirizar as entregas pendentes rapidamente.
| Critério | Roteirização manual / planilha | Software de roteirização |
| Tempo de planejamento | 2 a 4 horas por dia | 5 a 15 minutos |
| Qualidade da rota | Subótima: depende da experiência | Próxima do ótimo matemático |
| Restrições consideradas | Poucas: capacidade e região | Dezenas: horário, tipo de veículo, prioridade |
| Adaptação a imprevistos | Lenta e manual | Rápida: re-roteirização em tempo real |
| Escalabilidade | Limitada ao volume que o planejador suporta | Escala com o volume de pedidos |
| Custo por km rodado | Alto: rotas ineficientes | 10% a 25% menor em média |
O ganho mais direto é a redução de quilômetros rodados, em média de 10% a 25% em operações que migraram do planejamento manual. O ganho secundário costuma ser igualmente relevante: o planejador deixa de passar horas definindo rotas e passa a focar em gestão e exceções.
Nem toda operação precisa de um software especializado. A roteirização manual ainda é viável quando o volume é baixo e as rotas são simples. Os sinais abaixo indicam que sua operação já chegou ao ponto em que um software faz sentido:
| Sinal | O que indica |
| Planejador passa horas definindo rotas todo dia | Volume já justifica automação |
| Motoristas chegam frequentemente fora do horário prometido | Rotas mal calibradas para o tempo real |
| Custo de combustível alto sem crescimento de volume | Quilometragem excessiva por rota ineficiente |
| Clientes reclamam de janela de entrega não cumprida | Roteirização não considera restrições de horário |
| Dificuldade de absorver picos sem contratar mais frota | Frota subdimensionada ou mal aproveitada |
| Muitas horas extras de motorista | Rotas longas demais por falta de otimização |
Não há um número universal, mas operações com mais de 20 a 30 entregas diárias por veículo e múltiplos veículos geralmente já encontram retorno positivo. O critério mais importante não é o volume em si, mas a complexidade das restrições e o custo da operação: uma frota pequena que percorre grandes distâncias pode ter ganho expressivo com roteirização otimizada.
Um dos principais diferenciais dos softwares em relação à roteirização manual é a capacidade de considerar simultaneamente múltiplas restrições operacionais:
Então, quanto mais restrições a operação tem, maior o benefício do software, porque a complexidade do problema cresce rapidamente e a roteirização manual se torna cada vez mais imprecisa.
A roteirização de entregas resolve o nível operacional da logística: as rotas do dia a dia. Mas ela depende de decisões tomadas em níveis superiores e só entrega seu potencial máximo quando a estrutura de rede é adequada.
Então, pense em três horizontes de decisão:
Um software de roteirização excelente operando sobre uma rede mal configurada (ou seja, CDs mal localizados, hubs em regiões erradas, etc) terá ganhos limitados. Da mesma forma, uma rede bem desenhada sem roteirização otimizada desperdiça boa parte do potencial de eficiência construído nas camadas estratégica e tática.
Por isso, empresas que buscam redução estrutural de custo logístico costumam abordar os três níveis de forma integrada, começando pelo desenho de rede e descendo até a roteirização operacional.
| Etapa | O que fazer |
| Mapear as restrições da operação | Capacidade dos veículos, janelas de entrega, zonas proibidas |
| Organizar os dados de pedidos | Endereços, volumes, horários, prioridades |
| Avaliar softwares disponíveis | Comparar por tipo de operação, restrições suportadas e custo |
| Fazer um piloto em uma rota | Comparar o resultado com a rota atual em km e tempo |
| Medir os ganhos | Custo por entrega, km rodado, horas de motorista |
| Expandir para toda a operação | Integrar ao ERP ou TMS existente |
VRP (Vehicle Routing Problem) é o problema matemático de determinar as rotas ótimas para um conjunto de veículos que precisam atender um conjunto de clientes, partindo de um ou mais depósitos. Assim, é a base dos softwares de roteirização e uma das áreas mais estudadas da pesquisa operacional aplicada à logística.
São soluções complementares com funções distintas. Roteirização define as rotas antes da operação, é planejamento. Rastreamento monitora os veículos durante a operação, é controle. Softwares modernos frequentemente integram as duas funções: planejam as rotas, assim como transmitem ao motorista e rastreiam a execução em tempo real.
Sim, e é especialmente relevante para e-commerce, onde o volume de pedidos é alto, os destinatários são residenciais e dispersos, e a taxa de falha na entrega tem impacto direto no custo. Softwares especializados em last mile de e-commerce consideram variáveis como janelas de entrega agendadas, pontos de coleta alternativos e re-roteirização em caso de ausência do destinatário.
Para operações sem integrações complexas, a implementação básica pode ser feita em algumas semanas. Quando há integração com ERP ou TMS, customizações de restrições específicas ou treinamento de equipes maiores, o prazo típico é de 1 a 3 meses. O piloto em uma rota ou região costuma ser o primeiro passo, e já permite medir o ganho antes da implementação completa.
Por fim, sim. A maioria dos softwares modernos oferece APIs de integração com ERPs e TMS, permitindo que os pedidos do dia sejam importados automaticamente e que as confirmações de entrega retornem ao sistema de gestão sem digitação manual. Então, a facilidade de integração varia por fornecedor e deve ser avaliada durante a seleção do software.
A INPO é especializada em otimização logística e pode ajudar sua empresa a avaliar onde a roteirização se encaixa na sua estratégia de rede. Fale com nossos especialistas para entender qual nível de otimização faz mais sentido para a sua operação.
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