O planejamento de transporte enxerga o mundo de um jeito diferente do planejamento de produção. Na fábrica, importa se o produto é A ou B, se a marca é X ou Y, se o sabor é morango ou uva. Já no transporte, nada disso muda o resultado: a operação vê uma caixa que ocupa espaço no veículo e precisa chegar a um destino.

Por isso, muitas empresas planejam bem a demanda e, mesmo assim, sofrem com a capacidade de transporte. Neste artigo, você vai entender o que significa tratar tudo como caixa marrom. Além disso, vamos mostrar por que a previsão por SKU não basta e como o S&TP (Sales & Transportation Planning) fecha essa lacuna.

O que a caixa marrom ensina sobre o planejamento de transporte

Dizer que tudo é caixa marrom é reconhecer o que realmente define a frota. Ou seja, o conteúdo da caixa importa menos do que o volume, o tipo de veículo e o destino.

Por exemplo, dois produtos muito diferentes para o comercial podem ser idênticos para o transporte. Basta que ocupem o mesmo espaço e sigam para a mesma região. Da mesma forma, um único produto pode exigir veículos distintos, dependendo do destino.

Por que a previsão por SKU não basta

O S&OP organiza a empresa em torno de produtos, volumes de venda e capacidade de produção. Esse processo é valioso, e a previsão por SKU faz parte do seu centro.

Porém, o problema aparece quando a empresa usa essa mesma previsão, sem tradução, para decidir o transporte. Quem define quantos veículos contratar e quantas viagens fazer não decide olhando uma lista de SKUs. Essa pessoa precisa saber quanto volume vai circular, em que tipo de veículo e em qual região.

Sem essa tradução, o plano de vendas chega ao transporte em uma linguagem que a operação não consegue usar.

Os custos de um planejamento de transporte desalinhado

A ineficiência não desaparece. Ela apenas muda de lugar e aparece em sintomas conhecidos de quem opera transporte:

  • frota ociosa em um mês;
  • falta de veículo no mês seguinte;
  • excesso de frete spot na última hora;
  • perda de nível de serviço.

Assim, a capacidade de transporte costuma entrar na conversa só quando já virou urgência. Nesse momento, resolver custa mais.

Como o S&TP melhora o planejamento de transporte

Arthur Hill e Cauê Guazzelli, PhD, criaram o S&TP (Sales & Transportation Planning). O conceito desdobra o S&OP para a capacidade de transporte. Trata-se de um processo tático que ajusta essa capacidade à demanda prevista, ao menor custo e com respeito ao nível de serviço.

Tudo começa com a tradução da previsão. O S&TP converte a previsão do S&OP para uma unidade própria do transporte: o TFU (Transportation Forecast Unit). O TFU agrupa o que cabe no mesmo veículo e já separa a demanda por geografia. Dessa forma, a empresa planeja a frota pela lógica da operação, e não pela lógica do catálogo de produtos.

Segmente a demanda para decidir a frota

Com a demanda em TFU, a empresa pode separá-la em três partes: basal, sazonal e esporádica. Cada parte pede um tipo de capacidade diferente:

Tipo de demandaCapacidade indicada
BasalFrota dedicada
SazonalFrete tabelado
EsporádicaFrete spot

A lógica lembra a do estoque de segurança. Ou seja, a empresa não dimensiona toda a capacidade para o pico, nem apenas para a média.

Defina a cadência do planejamento de transporte

O S&TP também organiza o ritmo das decisões. Em vez de revisar tudo o tempo todo, cada camada ganha a sua frequência. A empresa pode revisar a malha de distribuição uma vez por ano, a frota quatro vezes por ano e as viagens doze vezes por ano.

Reúna processo e ferramenta

O S&TP funciona quando processo e ferramenta andam juntos. Sem processo, a ferramenta não tem rotina de decisão. Da mesma forma, sem ferramenta, o processo não escala e depende de planilhas e da memória de quem está na operação.

Quem faz o planejamento de transporte na sua empresa?

Se a sua empresa planeja produção e vendas com cuidado, mas só discute capacidade de transporte quando já virou urgência, vale uma pergunta simples. Quem traduz hoje o plano para a realidade do transporte, e com que frequência?

Em muitas empresas, ninguém ocupa essa camada de forma estruturada. Portanto, é exatamente essa lacuna que o S&TP preenche.

Perguntas frequentes

O que significa caixa marrom no planejamento de transporte? Significa que, para dimensionar a frota, o conteúdo da carga importa menos do que o volume, o tipo de veículo e o destino. Assim, produtos diferentes podem ser equivalentes para o transporte.

O que é S&TP? Sales & Transportation Planning é o desdobramento do S&OP para a capacidade de transporte. Esse processo tático ajusta a capacidade à demanda prevista, ao menor custo e com respeito ao nível de serviço. Arthur Hill e Cauê Guazzelli, PhD, criaram o conceito.

O que é TFU? TFU (Transportation Forecast Unit) é a unidade que traduz a previsão do S&OP para a lógica do transporte. Ela agrupa a demanda pelo que cabe no mesmo veículo e separa por região.

Por que a previsão por SKU não basta para o transporte? Porque as decisões de frota dependem do volume por tipo de veículo e por região, e não do mix de produtos.

Como o S&TP se diferencia do S&OP? O S&OP planeja produto, venda e produção. Já o S&TP parte da previsão do S&OP e a traduz para decidir a capacidade de transporte.

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Por fim, a INPO atua com planejamento e otimização logística e aplica o conceito de S&TP em seus projetos. Se você quer estruturar essa camada tática na sua operação, fale com a nossa equipe.

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Categorias Planejamento da cadeia de suprimentos

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