O piso mínimo de frete, estabelecido pela ANTT, define valores mínimos obrigatórios para o transporte rodoviário de cargas no Brasil. Embora a regra tenha surgido como um instrumento regulatório para o setor, ela também revela um ponto estratégico para a gestão logística: a estrutura do veículo pode alterar significativamente o custo mínimo de uma operação.

Na prática, isso significa que decisões aparentemente operacionais — como o número de eixos do caminhão utilizado — podem gerar variações relevantes no valor mínimo de uma viagem.

O que é o piso mínimo de frete

O piso mínimo de frete foi instituído após a greve dos caminhoneiros de 2018 e passou a estabelecer tabelas de valores mínimos para o transporte rodoviário de cargas.

Esses valores são calculados com base em diferentes variáveis operacionais, como:

  • tipo de carga transportada

  • distância percorrida

  • número de eixos do veículo

  • características da operação

Além disso, a tabela é atualizada periodicamente para refletir mudanças nos custos do setor, especialmente no preço do diesel.

Portanto, embora seja um mecanismo regulatório, o piso mínimo também funciona como um importante indicador da estrutura de custos do transporte rodoviário brasileiro.

Como o número de eixos altera o valor do frete

Quando analisamos uma rota de 600 km para carga geral, a influência do número de eixos se torna bastante evidente.

De acordo com os valores mínimos estabelecidos pela ANTT:

  • um caminhão com 2 eixos possui piso mínimo de aproximadamente R$ 2.645 por viagem

  • um veículo com 9 eixos pode chegar a cerca de R$ 5.978

Assim, a diferença ultrapassa R$ 3,3 mil por viagem.

Esse dado mostra que a escolha do tipo de veículo não é apenas uma decisão operacional. Na realidade, ela também impacta diretamente a estrutura mínima de custo da operação logística.

Operações de alto desempenho seguem a mesma lógica

A influência do número de eixos permanece quando analisamos operações classificadas como alto desempenho pela ANTT.

Esse tipo de operação considera cenários como:

  • frota dedicada

  • dois ou três turnos de operação

  • até três horas para carga ou descarga

Assim, os pisos mínimos para a mesma rota de 600 km variam aproximadamente entre:

  • R$ 2.029 para veículos de 2 eixos

  • R$ 4.507 para veículos de 9 eixos

Portanto, mesmo em operações mais eficientes, a configuração do veículo continua sendo um fator determinante no custo mínimo do frete.

O impacto no planejamento de malha logística

Para gestores logísticos, o piso mínimo de frete não deve ser observado apenas como uma obrigação regulatória.

Pelo contrário, ele também funciona como uma variável estrutural no planejamento de transporte.

Decisões como:

  • dimensionamento de frota

  • consolidação de cargas

  • frequência de embarques

  • estrutura da rede de distribuição

precisam considerar os limites definidos pela regulamentação.

Caso contrário, é possível planejar a operação com premissas de custo que não se sustentam dentro das regras do setor de transporte rodoviário.

Por que análise especializada do piso mínimo de frete faz diferença

Em operações logísticas complexas, fatores regulatórios, operacionais e econômicos se combinam de forma contínua.

Por esse motivo, compreender como o piso mínimo de frete interage com variáveis como distância, capacidade do veículo e estrutura de rede é essencial para decisões mais robustas.

Nesse contexto, análises técnicas, modelagens logísticas e simulações de cenários permitem avaliar alternativas de transporte e identificar configurações mais eficientes para cada operação.

Conclusão

O piso mínimo de frete foi criado como uma ferramenta regulatória para o transporte rodoviário. No entanto, ele também revela informações importantes sobre a estrutura de custos do setor.

Ao analisar variáveis como número de eixos, tipo de operação e distância percorrida, gestores logísticos conseguem compreender melhor o impacto dessas decisões no custo das viagens.

Assim, o planejamento logístico deixa de ser apenas uma discussão operacional e passa a incorporar elementos regulatórios que influenciam diretamente a eficiência da operação.

Se sua operação precisa avaliar cenários logísticos com maior profundidade analítica, entre em contato conosco.

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Categorias Planejamento da cadeia de suprimentos

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