Quem planeja malha logística com maturidade sabe que nem toda informação entra no modelo como variável direta. No entanto, isso não significa que ela possa ser ignorada. Pelo contrário: o piso mínimo de frete é um desses elementos críticos.

Embora ele não apareça como um input operacional clássico, ele define os limites dentro dos quais qualquer solução logística pode existir. Portanto, tratá-lo apenas como um número regulatório é um erro estratégico.

Por que o piso mínimo de frete muda toda a lógica da malha

O piso mínimo de frete não ajusta apenas o valor do transporte. Assim, ele afeta toda a estrutura que sustenta a malha logística ao longo do tempo.

Entre os principais impactos, estão:

  • Estrutura de custos de transporte, especialmente no longo prazo;

  • Viabilidade econômica de centros de distribuição, hubs e cross-docks;

  • Trade-offs críticos entre distância, nível de serviço e custo total;

  • Risco contratual, sobretudo em cenários de reajuste ou renegociação.

Ou seja, mesmo fora do modelo matemático, o piso atua como um limitador real das soluções possíveis. Não é input. É limite de realidade.

Modelos logísticos trabalham com hipóteses. Entretanto, o piso mínimo de frete impõe uma fronteira que nenhuma hipótese pode ultrapassar.

Assim, quando o planejamento ignora essa restrição, a malha pode até parecer eficiente no papel. Porém, na prática, ela se torna frágil, cara ou inviável ao primeiro choque de custos.

Por isso, o piso não orienta a otimização. Ele delimita o espaço onde a otimização pode acontecer.

O comportamento recente dos reajustes e o impacto no planejamento

Evolução anual do piso mínimo do frete

Entre 2021 e 2022, os reajustes do piso mínimo de frete dispararam, acumulando cerca de +16,5%. Como resultado, muitos contratos foram pressionados, e diversas malhas passaram a operar no limite.

Já em 2026, após a revisão metodológica, a alta desacelerou para aproximadamente +3,1%. Isso trouxe mais previsibilidade ao mercado. No entanto, também reduziu a margem para erro em decisões estruturais.

Portanto, menos volatilidade não significa menos risco. Significa apenas que o erro aparece mais rápido.

O que o planejador logístico precisa fazer diante disso

Para quem atua com planejamento de malha logística, acompanhar a curva do piso mínimo de frete não é detalhe regulatório. É condição básica para antecipar riscos.

Entre as principais ações estratégicas, destacam-se:

  • Incorporar o piso como restrição estrutural, mesmo fora do modelo;

  • Simular cenários de reajuste em decisões de médio e longo prazo;

  • Avaliar contratos considerando exposição futura a aumentos;

  • Identificar oportunidades antes que o custo apareça na operação.

Assim, o planejamento deixa de ser reativo e passa a ser verdadeiramente estratégico.

Conclusão: planejar logística é respeitar os limites do mundo real

Em um cenário de custos mais elevados e decisões cada vez mais sensíveis, planejar com base apenas em médias históricas não é suficiente.

O piso mínimo de frete na malha logística não é um número operacional. Portanto, ignorá-lo é ignorar a realidade.

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